O q vende mais: comédia ou tragédia? Parece q a alegria dura pouco, e a tristeza dura uma eternidade. Questão de tempo psicológico, diz-se. E tb parece q semelhante atrai semelhante, como diz a homeopatia: se vc conta uma piada, todos riem; se conta uma história triste ou fala de alguma dor q sente, na mesma hora vem de volta uma enxurrada de histórias similares, cada um ansioso para falar de sua dor, numa espécie de disputa sobre quem teve a experiência mais trágica ou sentiu a dor mais forte. Consigo imaginar uma dor permanente, ainda que ela tenha simplesmente se enraizado e deixado apenas uma pontinha à vista. Da qual vc se lembra doce-amargamente, pq ela ñ vem à superfície quase nunca, e pode estar conectada a fatos engraçados ou tristes. Mas ñ consigo lembrar de uma alegria permanente. E nem vou enganar ninguém com o clichê dos filhos. É claro que ter filhos é uma experiência singular. Bem, para mim. Para as mães que os põe para pedir esmolas ou as(os) vendem como prostitutas(os) são outra coisa. Outro post.
Então, os filhos. São uma montanha-russa de emoções. Têm uma classificação à parte. Por isso ñ se discutem aqui. Que outra alegria permanece com a gente todo o tempo no mesmo nível que a dor? Vou pensar.
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
É outono?
Sempre associei as flores à primavera, e as folhas amareladas ou avermelhadas ao outono. Parece q ñ é mais assim. Outubro, outono em NYC, sempre foi friozinho, tempo de casaco. Ano passado, os casacos ficaram na mala, e tive de sair às pressas para comprar roupa de verão, e até chinelo, pq era impossível ficar de sapato e meia. Agora, no Rio, é isso aí q aparece na foto. É inverno, mas... parece outono para mim. Ñ tem como juntar e colar assim, pois as memórias ñ fazem mais sentido. Talvez seja bom, por possibilitar deixá-las para trás - finalmente.Diz o Dalai Lama q o passado já passou, o futuro ainda ñ chegou. Ou algo assim. É a idéia do momento presente. Pois. Então é largar os caquinhos por aí, que nem João e Maria fizeram com os farelinhos, ou Ariadne com o fio para guiar Teseu? Será q a Comlurb ñ vai passar e recolher, e todos ficaremos perdidos para sempre?
sábado, 21 de junho de 2008
Comida típica
Cada lugar parece ter uma comida associada (há ainda as que se relacionam a determinadas festas, como a 'junina'). Qual é a comida típica do Rio? Já falaram no churrasco-rodízio. Ñ sei se o fenômeno é localizado, mas por onde ando tropeço num churrasquinho. Todo dia, ou quase, cai a noite, e lá está a pessoa com sua churrasqueira portátil, com os espetinhos. Churrasquinho de gato, é o q diz a lenda urbana. E ñ é de hoje não. Pois quando eu estava grávida a primeira vez, e lá se vai mais de uma década (sem admissões de idade), bateu a vontade de comer o tal churrasquinho. Naquele tempo bíblico, era comida q se via em parquinho, em festa junina, era coisa popular mesmo. Acabei parando num restaurante comendo um brochete. Nada a ver. O q tb comprova q desejos insatisfeitos ñ fazem mal. Minha filha ñ nasceu com cara de churrasquinho. Mais provável nascer com cara de mariola ou caramelo de chocolate. Ah! deve ser por isso q ela gosta tanto daquela propaganda besta de uma marca de chocolate (esqueci o nome, de verdade): 'caramelow'!
Então: o churrasquinho se alastrou. E junto com ele, as mesinhas espalhadas ao redor, com as pessoas bebendo cerveja, e algumas raras, refrigerante. E, embora eu pouco coma carne, às vezes ñ consigo resistir ao cheiro q emana do fogareiro tosco. Depende do tamanho do vazio no estômago, ou da nostalgia.
Haja empreendedor de churrasco.
Então: o churrasquinho se alastrou. E junto com ele, as mesinhas espalhadas ao redor, com as pessoas bebendo cerveja, e algumas raras, refrigerante. E, embora eu pouco coma carne, às vezes ñ consigo resistir ao cheiro q emana do fogareiro tosco. Depende do tamanho do vazio no estômago, ou da nostalgia.
Haja empreendedor de churrasco.
sexta-feira, 13 de junho de 2008
http://ricardolombardi.ig.com.br/Vi a dica nesse blog, chamado Desculpe a Poeira. Gostei do blog e da dica.
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Dia dos Namorados ou véspera de Santo Antonio?
Interligados para sempre, já que Santo Antonio era o santo de devoção de minha mãe, e ela só ñ casou com meu pai no dia 13/6 pq ñ tinha vaga no cartório. Acho. Memórias perdidas... se já tivesse blog quando meus pais eram vivos, já teria um livro da família. Do jeito q vai, ñ sobra quase mais nada. Vi em House q existe um remédio q estimula a memória, para quem tem Mal de Alzheimer. Uma possibilidd?
Poizentão, como diz a amiga virtual Júnia, está lá o Largo da Carioca em festa pq o Convento de Santo Antonio está fazendo aniversário - começou a ser construído em 1608! E como está sendo restaurado, estão rezando no próprio Largo. E tem barraquinhas vendendo os artigos relacionados ao santo, como fazem todo ano, mais as coisas típicas de festa junina. Gosto de infância, memórias de família... só ñ dá para curtir mais pq anda perigoso circular pela cidade, especialmente à noite. Sem contar a quantidade de aproveitadores, pedintes... se bem q é típico, isso. Só q nunca se sabe se há a possibilidd de violência. Testemunhei uma cena no sábado passado chocante. Pelo menos para mim. Não para as pessoas, a maioria idosas (!) à volta. Um menor, visivelmente drogado, entrou em um supermercado e assediou uma cliente. Um segurança pegou-o pelo pescoço e saiu arrastando-o como um bicho. Bem, talvez ñ como um bicho, pois eu nunca vi ninguém arrastar um cachorro assim. Inda mais se fosse um pitbull. Pq aí o cara ficaria sem braço. Eu quero ser assediada, invadida? Não. Mas a violência tornou-se uma commodity. Ninguém se espanta mais. Linche-se o pivete, ateie-se fogo ao mendigo, espanque-se o ladrão, e a multidão aplaude. Como diz uma amiga, a democracia é superestimada - afinal, foi a multidão que preferiu Barrabás a Jesus.
Back to the cold cow.
Então, está lá todo o aparato montado para amanhã, o grande dia. Hoje tb é um grande dia, acho. Até esqueci do folclore todo, pois estive envolvida com um evento ecológico, bem mais significativo para mim do q festas comerciais. Mas faço questão de manter o dia 13 de junho como um marco histórico familiar. E amanhã já conto com a multidão no Largo da Carioca. O padre no púlpito improvisado já declarava, antecipadamente, que seriam consideradas cumpridas todas as promessas de subir a escadaria do convento para chegar ao altar-mor, pois as obras ñ permitiam excessos. A ñ ser para as exceções (com cedilha, pois, como diz uma amiga, com ss são os grandes excessos) - como o sobrinho do padre (oras...), que veio de longe para conhecer o convento. Suspeito, isso, aliás. Será q esse sobrinho ñ podia ter vindo antes? Para mim é nepotismo. Se ñ fossem franciscanos... E por falar em franciscanos, vale ver Irmão Sol, Irmã Lua. Meio piegas, meio tosco, meio datado. Mas uma das musiquinhas tem um gosto zen: fazer uma coisa de cada vez, e fazer bem feito. Ñ somos multitarefas. Nosso cérebro ñ comporta isso. Acabamos fazendo tudo mal feito e superficialmente, e ficando estressados. Bom para a indústria dos antidepressivos.
Depois eu termino a história. Talvez amanhã. Esse assunto acaba ñ tendo fim, por causa dos desvios. E eu ñ quero decepcionar a leitora q deixou um comentário ultra-simpático e bem escrito, e q tem um blog muito legal (http://estavaperdidanomar.blogspot.com/), tão legal q começa com uma das músicas q mais amo, Somewhere Over the Rainbow.
Poizentão, como diz a amiga virtual Júnia, está lá o Largo da Carioca em festa pq o Convento de Santo Antonio está fazendo aniversário - começou a ser construído em 1608! E como está sendo restaurado, estão rezando no próprio Largo. E tem barraquinhas vendendo os artigos relacionados ao santo, como fazem todo ano, mais as coisas típicas de festa junina. Gosto de infância, memórias de família... só ñ dá para curtir mais pq anda perigoso circular pela cidade, especialmente à noite. Sem contar a quantidade de aproveitadores, pedintes... se bem q é típico, isso. Só q nunca se sabe se há a possibilidd de violência. Testemunhei uma cena no sábado passado chocante. Pelo menos para mim. Não para as pessoas, a maioria idosas (!) à volta. Um menor, visivelmente drogado, entrou em um supermercado e assediou uma cliente. Um segurança pegou-o pelo pescoço e saiu arrastando-o como um bicho. Bem, talvez ñ como um bicho, pois eu nunca vi ninguém arrastar um cachorro assim. Inda mais se fosse um pitbull. Pq aí o cara ficaria sem braço. Eu quero ser assediada, invadida? Não. Mas a violência tornou-se uma commodity. Ninguém se espanta mais. Linche-se o pivete, ateie-se fogo ao mendigo, espanque-se o ladrão, e a multidão aplaude. Como diz uma amiga, a democracia é superestimada - afinal, foi a multidão que preferiu Barrabás a Jesus.
Back to the cold cow.
Então, está lá todo o aparato montado para amanhã, o grande dia. Hoje tb é um grande dia, acho. Até esqueci do folclore todo, pois estive envolvida com um evento ecológico, bem mais significativo para mim do q festas comerciais. Mas faço questão de manter o dia 13 de junho como um marco histórico familiar. E amanhã já conto com a multidão no Largo da Carioca. O padre no púlpito improvisado já declarava, antecipadamente, que seriam consideradas cumpridas todas as promessas de subir a escadaria do convento para chegar ao altar-mor, pois as obras ñ permitiam excessos. A ñ ser para as exceções (com cedilha, pois, como diz uma amiga, com ss são os grandes excessos) - como o sobrinho do padre (oras...), que veio de longe para conhecer o convento. Suspeito, isso, aliás. Será q esse sobrinho ñ podia ter vindo antes? Para mim é nepotismo. Se ñ fossem franciscanos... E por falar em franciscanos, vale ver Irmão Sol, Irmã Lua. Meio piegas, meio tosco, meio datado. Mas uma das musiquinhas tem um gosto zen: fazer uma coisa de cada vez, e fazer bem feito. Ñ somos multitarefas. Nosso cérebro ñ comporta isso. Acabamos fazendo tudo mal feito e superficialmente, e ficando estressados. Bom para a indústria dos antidepressivos.
Depois eu termino a história. Talvez amanhã. Esse assunto acaba ñ tendo fim, por causa dos desvios. E eu ñ quero decepcionar a leitora q deixou um comentário ultra-simpático e bem escrito, e q tem um blog muito legal (http://estavaperdidanomar.blogspot.com/), tão legal q começa com uma das músicas q mais amo, Somewhere Over the Rainbow.
terça-feira, 20 de maio de 2008
Alzheimer's
sábado, 17 de maio de 2008
A morte
Não é para ser uma coisa mórbida. É só o registro da morte de minha mãe. Claro que o q eu acabei de escrever ñ faz o menor sentido. Pois mórbido vem de morte. Mas tenho de escrever.
Ou não? Deixando de lado a pretensão de um blog sem leitores, direi q minha mãe era uma figura controvertida. Julgamentos ñ serão feitos agora, e de preferência, não mais. Momento presente, dizem os budistas. Mas é impossível ñ lembrarmos de outra morte, a de meu pai, repentina, inesperada, diferente desta, da minha mãe, esperada e até desejada, pelo tamanho do sofrimento dela. Medo à parte, q, aparentemente, ñ livra a cara de ninguém, além de o Alzheimer já ter levado o cérebro dela há bom tempo, agora era o resto do corpo q se deteriorava. Papai, até o momento de morrer, era uma pessoa ativa e de cérebro intacto (até onde pudemos perceber e considerando-se sua idade). Chocou-nos muito. Deixou marcas indeléveis. A saudade permanece. Qual será o legado de minha mãe? Meu primo Sergio usou uma expressão q achei perfeita, relacionando-a a mamãe: striving for excellence. Ela tinha uma visão impressionante para alguém de sua idade e cultura. Falei hoje para minha filha q ela era um espírito inteligente em um corpo limitado. Talvez esse tenha sido exatamente o seu carma: ñ poder exercer sua inteligência em sua plenitude - por conta de um espírito conturbado, com assuntos não resolvidos. Daí derivando nossos inúmeros conflitos, com direito a continuação em minha filha. A grande pergunta: teriam ficado para trás? Espero q sim. Ñ me interessa uma outra vida de conflitos.
A morte é um tema de reflexão constante: basta estar vivo para pensar nela. Quando se perde alguém muito importante (estou falando do micromundo de cada um), é um tornado de pensamentos q inicialmente nos tira do chão. Sobrevivemos, mas sempre ficam seqüelas. Foi assim com Déa, com papai, e ñ poderia ser diferente com mamãe. Mas os sentimentos são diversos. Vamos ver com o tempo.
Enquanto elaborava isto aqui, abri um e-mail q tinha um arquivo em ppt chamado 'Caminos', e ilustrado com fotos de caminhos e outras na mesma linha. A música era The Long and Winding Road, dos Beatles. A sincronicidade está na letra e nas fotos. As fotos me fazem lembrar o painel q Déa mandou fazer para sua parede, em q havia um caminho. A idéia era visualizar um caminho, a continuidd, a possibilidd de continuar caminhando, vencendo a doença. A doença venceu. A música me remete ao abandono, à solidão, à saudade. Q é a sensação de quem fica. Many times I've been alone, and many times I've cried, anyway you'll never know,
the many ways I've tried... O q me faz lembrar a história do pescoço, mas fica para outra vez.
Ou não? Deixando de lado a pretensão de um blog sem leitores, direi q minha mãe era uma figura controvertida. Julgamentos ñ serão feitos agora, e de preferência, não mais. Momento presente, dizem os budistas. Mas é impossível ñ lembrarmos de outra morte, a de meu pai, repentina, inesperada, diferente desta, da minha mãe, esperada e até desejada, pelo tamanho do sofrimento dela. Medo à parte, q, aparentemente, ñ livra a cara de ninguém, além de o Alzheimer já ter levado o cérebro dela há bom tempo, agora era o resto do corpo q se deteriorava. Papai, até o momento de morrer, era uma pessoa ativa e de cérebro intacto (até onde pudemos perceber e considerando-se sua idade). Chocou-nos muito. Deixou marcas indeléveis. A saudade permanece. Qual será o legado de minha mãe? Meu primo Sergio usou uma expressão q achei perfeita, relacionando-a a mamãe: striving for excellence. Ela tinha uma visão impressionante para alguém de sua idade e cultura. Falei hoje para minha filha q ela era um espírito inteligente em um corpo limitado. Talvez esse tenha sido exatamente o seu carma: ñ poder exercer sua inteligência em sua plenitude - por conta de um espírito conturbado, com assuntos não resolvidos. Daí derivando nossos inúmeros conflitos, com direito a continuação em minha filha. A grande pergunta: teriam ficado para trás? Espero q sim. Ñ me interessa uma outra vida de conflitos.
A morte é um tema de reflexão constante: basta estar vivo para pensar nela. Quando se perde alguém muito importante (estou falando do micromundo de cada um), é um tornado de pensamentos q inicialmente nos tira do chão. Sobrevivemos, mas sempre ficam seqüelas. Foi assim com Déa, com papai, e ñ poderia ser diferente com mamãe. Mas os sentimentos são diversos. Vamos ver com o tempo.
Enquanto elaborava isto aqui, abri um e-mail q tinha um arquivo em ppt chamado 'Caminos', e ilustrado com fotos de caminhos e outras na mesma linha. A música era The Long and Winding Road, dos Beatles. A sincronicidade está na letra e nas fotos. As fotos me fazem lembrar o painel q Déa mandou fazer para sua parede, em q havia um caminho. A idéia era visualizar um caminho, a continuidd, a possibilidd de continuar caminhando, vencendo a doença. A doença venceu. A música me remete ao abandono, à solidão, à saudade. Q é a sensação de quem fica. Many times I've been alone, and many times I've cried, anyway you'll never know,
the many ways I've tried... O q me faz lembrar a história do pescoço, mas fica para outra vez.
The long and winding road
That leads to your door
Will never disappear
I've seen that road before
It always leads me here
Lead me to your door
The wild and windy night
That the rain washed away
Has left a pool of tears
Crying for the day
Why leave me standing here
Let me know the way
Many times I've been alone
And many times I've cried
Anyway you'll never know
The many ways I've tried
But still they lead me back
To the long winding road
You left me standing here
A long long time ago
Don't leave me waiting here
Lead me to your door
That leads to your door
Will never disappear
I've seen that road before
It always leads me here
Lead me to your door
The wild and windy night
That the rain washed away
Has left a pool of tears
Crying for the day
Why leave me standing here
Let me know the way
Many times I've been alone
And many times I've cried
Anyway you'll never know
The many ways I've tried
But still they lead me back
To the long winding road
You left me standing here
A long long time ago
Don't leave me waiting here
Lead me to your door
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