domingo, 10 de janeiro de 2010

Caipirinha Bar (em Viena)



Para quem duvidar, clique nas imagens... ñ entrei, já ñ sou de beber, e era de manhã... nem devia estar aberto. Mesmo que estivesse, cachaça com açúcar e limão não combinam com Viena. Né? =/

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Antes do amanhecer


'Baudelaire disse: "A forma de uma cidade muda mais depressa, lamentavelmente, que o coração de um mortal". Ainda assim, a continuidade se firma em certas formas. A Idade Média deu à cidade, ou à maioria delas, um espaço rodeado por uma muralha, cujo vestígio subsiste mesmo quando as muralhas desapareceram. (...) Se o centro perde em energia, ganha em prestígio; é que ele permite ver num relance a cidade: sua beleza o resume. O centro sobrevive e provavelmente sobreviverá por muito tempo pelo recurso ao imaginário.'
Jacques Le Goff, Por amor às cidades

Etapa seguinte, Viena. De Munique, trem. Muito fácil, nem foi necessário comprar Eurail, que era mais caro e complicado, pq tinha de reservar e já estabelecer as datas. Vai que dá zebra? O plano era chegar e comprar na hora. Penso que só hotel e avião é que não pode fazer isso. Corre-se o risco de ficar plantado.
Nos meus mínimos preparativos, apurei que outrora Viena foi cercada por essa muralha chamada Ringstrasse. Que virou uma "rua" (redonda, será? tenho de ver o Google Maps), que muda de nome algumas vezes. 'Strasse' é rua nessa língua difícil, e 'Ring' seria o mesmo que em inglês, anel? Oh, well. A estação de trem é super. A cidade ñ me deixou encantada, não sei a razão. Acho que estava nervosa. Muito pouco tempo para ver o que eu queria: Klimt (de preferência 'O Beijo' - meu favorito de todos os tempos, tenho a reprodução na minha sala), queria, se possível, ir ao túmulo de Beethoven (o único que já quis ver em minha vida, desde que assisti ao filme Immortal Beloved, com Gary Oldman, magnífico, e me fez chorar, coisa rara em filmes: com a regência da Nona Sinfonia, divina, com a carta à amada e a cena final); e provar a tal sachet torte. Parecia fácil. Ahã. Not!!!!!!!!!!!!
Os "astros" conspiraram contra: o hotel não tinha uma porcaria de um adaptador de tomadas para eu carregar minha câmera digital e, claro, pela Lei de Murphy, ela descarregou (aaaaaaahhhhhhhh, agora sei pq eu tenho pouquíssimas fotos de lá!!!!!). Fiquei com medo de chegar a Praga e o prejuízo ser duplo - conclusão: pragmatismo é a solução. Seguir a Ringstrasse, ver o que tem no caminho, achar a Ilha dos Museus, ver o que tinha Klimt, e dar-me por (meio) satisfeita. O tempo que sobrasse, achar a rua de comércio e catar uma loja que vendesse o tal adaptador.
Resumo da ópera: a Ilha dos Museus é de tirar o chapéu. Assisti a uma bela exposição no museu que escolhi (Leopold Museum) - Schiele & Klimt. Passei por um belíssimo parque - Parque da Cidade, onde há uma estátua de Strauss tocando violino linda (dizem que é super fotografada e tem de ser, porque foge àquela mesmice daqueles políticos ou mesmo daquelas esculturas de inspiração greco-romana, e tudo que evoca a música me fala ao coração...). Conheci o Danúbio (que não é azul...). Vi até um bar chamado 'Caipirinha'. Não entendi nada. E nada de sachet torte. Não achei o lugar famoso. Acabei no McDonald's (tenho um trato com minha sobrinha: ela coleciona os brindes do McLanche Feliz - como eu estava com fome e ñ tinha 1 segundo a perder antes de pegar o trem...). E achei o adaptador. Final (quase) feliz. Digamos, agridoce. Como eu gosto desses sabores, tudo bem. Diz uma amiga minha que é um pretexto para voltar. Não foi a minha intenção. Planejei exatamente para saltitar, desse no que desse. A vida dirá.
No dia 30/12/09, estava passando Antes do Amanhecer, com Ethan Hawke e Julie Delpy, que eu ainda ñ tinha visto (apesar de ter o DVD). Fui interrompida por um telefonema, mas deu para ver algumas cenas e talvez até reconhecer alguns lampejos de Viena. Acho. Adoro isso, aliás, é uma das coisas que me deixa contente em viajar e me faz sentir que "conheço" um lugar: começa com a pesquisa prévia, ler o máximo que eu posso, contextualizar. Depois chegar, andar, comer, se possível, tendo oportunidade (pois não sou extrovertida), falar com as pessoas. Por isso tb fico irritada de passar pouco tempo, ñ dá para "sentir" o lugar. E se ñ entendo a língua, pior ainda, é como se ñ conseguisse respirar direito...
Quando consigo escrever durante a viagem, as coisas vão se encaixando, consigo reproduzir o que sinto em tempo real. Depois fica mais difícil. Aí, quando retorno, conto para as pessoas o que vi, e as memórias vão se cristalizando, e adquirindo outras tonalidades, talvez até se modificando, seja se fundindo com lembranças já existentes previamente, seja se perdendo, pois ñ é possível reter tudo, ou se confundindo, ou, quem sabe, se reinventando... é aí que entram "memórias alheias". Se vejo uma foto ou assisto a um filme, certamente a qualidade, a nitidez ou o ângulo são diferentes ou melhores. A memória se sobrepõe ou completa a minha. É ao mesmo tempo um reconhecimento, uma renovação e um preenchimento de lacunas. Um aaahhh! e um oooohhhh! aqui e acolá...
Parece que tudo que espero de uma viagem é isso mesmo: aaaahhhs! e oooohhhs! O que esperar mais?

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Conto de fadas


Ponto alto da viagem, literalmente. Não sei quanto a gente subiu - já estávamos subindo antes, e até chegar ao castelo, fomos de charrete, quase 30 minutos. Lá dentro, degraus. Oh, horror. Ainda bem que emagreci, ou o coração sucumbiria. Não tem elevador, como na Sagrada Familia.

O que dizer que não tenha sido dito? Bem, o legal foi o tour. Falantes de língua espanhola e inglesa, o guia alemão, já tinha botado pra fora falantes de outras línguas em Munique, inclusive um pobre japonês, ainda que ele tenha balbuciado que preferia o inglês (eu finquei pé - até pq japonês ñ tem escolha, ele se denuncia... e eu sou indistinta), paramos para almoçar no pé do castelo, pude, enfim, comer alguma coisa decente (tinha passado mal quando cheguei). Bem, decente é modo de dizer: salsicha com fritas =D! Teste de resistência. Se eu ñ resistisse a isso, o resto da viagem ia ser à base de crackers. Sentei com uns americanos, conversei à vontade (!), embora ñ tenha descoberto de imediato que voltei a falar (o que só aconteceu à noite). Bizarro.

E lá fui eu realizar meu conto de fadas. Sem príncipe. Aliás, todos os príncipes estão em Munique. Nossa Senhora. Ainda estou para descobrir onde tem homens mais bonitos. Nossinhora. De novo.

Para saber mais: http://pt.wikipedia.org/wiki/Castelo_de_Neuschwanstein

Linderhof


O que dizer mais desse castelo de conto de fadas? Bom, pra mim, sonho realizado. Apesar de eu sempre ter imaginado o outro, de tanto se ter falado que era o modelo do castelo da Disney, tinha lido no Rough Guide que este era imperdível, além de estar totalmente acabado, e ter servido realmente de residência do rei Ludwig II, da Baviera. História, história... gosto de respirá-la, absorvê-la. Quando a gente simplesmente anda pelas ruas não dá para sentir muito bem. Nem quando simplesmente olha para um quadro em um museu. O tour deste castelo, com este guia específico, fez toda a diferença. Dá para a comparar. Os caras são como artistas. Aliás, são artistas. É todo um teatro, e um bom intérprete dá vida ao papel. Em vez de somente pedra, mármore, tinta sobre tela, tudo ganhou vida. Em vez de um simples rei louco, deu para sentir um personagem mais complexo, mais rico. Saí de lá mais "rica".

Para saber um pouco mais: http://pt.wikipedia.org/wiki/Linderhof

A caminho dos castelos



"Oberammergau
é um município do distrito de Garmisch-Partenkirchen Estado Federado de Baviera, Alemanha. Encontra-se localizado no vale do rio Ammer. Esta localidade é conhecida principalmente pelas representações da paixão de Cristo que aqui são feitas a cada dez anos." (Wikipedia)

É uma gracinha mesmo, embora eu tenha achado uma perda de tempo, já que o guia (que, aliás, era ótimo e muito engraçado) só ficava falando nos relógios cuco, bla bla bla, e sem chance de eu arrastar um trambolho desses. Quem aguenta um barulho irritante assim???
Conclusão: quando chegamos a Neuschwanstein, ele, literalmente, nos implorou para não esperarmos a charrete na descida (por causa do tempo de espera). Foi tudo cronometrado.

Enfim. Recuso-me a crer na insanidade de Ludwig II. O sujeito era misantropo, visionário, e louco pela música de Wagner, sei lá. Mais insanos do que aqueles reis produtos de casamentos entre primos, impossível. Para não falar dos ditadores e fazedores de guerras. Os castelos são um sonho. Valeram cada momento da viagem. Linderhof tem um guia sensacional, e está completo, é perfeito; a guia de Neuschwanstein não lhe faz jus, e o castelo não chegou a termo, o que é uma pena. A vista é sensacional. Bom, só indo.

Lembranças da Noviça Rebelde



Bastou o guia falar em 'Alpes Alemães' que minha mente saiu saltitando e cantando 'A Sound of Music'... Alpes são Alpes, ué!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Continuando


De teimosa. Já ando enjoada, ou entediada. Talvez seja o calor. Não consigo raciocionar direito com calor. Também estou com sono. Já mudamos de ano, fiz um pit-stop em Buenos Aires (!!!) - mas me recuso a virar a página.
Seria o tédio? Minha viagem de férias em outubro foi fantástica, me encheu de energia - a ponto de sequer me fazer reclamar do horário de verão (fato inédito em minha vida!), e me dar uma energia como há muito não sentia na minha vida profissional. O que tb é inusitado, pois tenho percebido necessidade de mudanças em gaps de 5 anos, e já estou neste posto há 6... time to change, then. Foi como uma reviravolta: energias renovadas, voz recuperada, catarse, liberação (v. foto do vitral da igreja em Munique no post - ralei no Google para descobrir que se trata da Nossa Senhora de Munich, ou Frauenkirche, inaugurada em 1494, e símbolo da cidade, e onde cheguei "por acaso"... hum... e onde estava pensando em minha mãe... interesting... Freud deve explicar).
Certamente não foi à toa que se minha voz calou porque ninguém quis me dar ouvidos, ela voltou nesse lugar consagrado à Mãe, por mais de 500 anos... há aqueles que acham que templos são lugares de desespero, ou mesmo que nesses casos, quando se tornam locais de visitação, perdem sua característica primária, para se tornar uma mera atração turística. É certo que há verdade nisso, mas eu vejo duas coisas num templo antigo: a arte e a esperança que está em cada coração que busca aquele local. Não tenho uma fé que move montanhas - sou muito confusa para isso. Considero-me mais uma buscadora e rejeito quase que apenas os fundamentalistas, machistas e idiotas. Das coisas que acato, estão: "onde dois estiverem orando sob o meu nome, aí estarei". Para mim, onde pessoas colocam sua energia em prece, ali ela se inscreve na pedra. Quase me dá vontade, agora, de tocar nas paredes de uma catedral antiga... quanto mais antiga, melhor. Como foi emocionante ir a Stonehenge... conhecer a arte tocante de Gaudí na Sagrada Família em Barcelona foi maravilhoso, mas chegar no centro antigo e entrar na antiga catedral foi, literalmente, de chorar.
Depois a americana me chamou de esnobe porque eu prefiro viajar pela Europa (lógico, tive de trabalhar a vida inteira para isso...). É.

Clarice: escrever é o mesmo processo do ato de sonhar: vão-se formando imagens, cores, atos, e sobretudo uma atmosfera de sonho que parece u...