quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Vira-lata
Uma vez assisti a uma palestra do filósofo e educador Mario Sergio Cortella, que versava sobre preconceito, e no meio do discurso ele falou uma coisa interessante, sobre uma expressão da língua inglesa, que não tem uma tradução perfeita: "I'll do my best". Denota a intenção de se fazer o melhor possível em dada situação. Pode ser usada em qualquer condição, inclusive na área de prestação de serviços.
Em português, não é "nativa" a expressão "vou fazer o meu melhor", embora eu já a tenha ouvido ou lido, mas atribuo a apropriação bizarra à falta de imaginação, e fiquemos por aí. Não somente não existe a expressão na língua, como também não existe o sentimento, a vocação, a vontade. E isso foi o que Cortella apontou.
Falam muito por aí do sentimento de vira-lata do brasileiro, do complexo de inferioridade, e muitas explicações são oferecidas. Começam com a derrota para o Uruguai na copa de 1950, passam por uma alegada declaração de De Gaulle de que o Brasil não era um país sério (li em algum lugar que essa declaração é fictícia), e chega-se aos dias de hoje, quando a questão é a auto-estima, em destaque desde que se elegeu um presidente semi-analfabeto, que chegou ao poder após um presidente que veio da Sorbonne.
O que constatamos é que o Brasil ainda engatinha em suas instituições, e, por isso, só uma coisa será capaz de mudar sua vocação, seu destino, sua direção, digamos assim: a educação. Com ela, as pessoas refletirão, construirão pensamento crítico, e poderão tomar decisões melhores, em todas as instâncias, em todas as áreas de suas vidas. Poderão ser melhores em todos os sentidos, em nível pessoal, o que a fará mais feliz (o aspecto individualista), e em nível coletivo (o que fará o país, finalmente, avançar).
Enquanto esse sonho não se concretiza, enquanto as pessoas não formulam um plano a curto, médio ou longo prazo para que isso aconteça, vale exercitar a melhor forma de se fazer o melhor possível em qualquer situação. Instrumentos existem para isso. Acredito firmemente que onde não existe um caminho, deve-se pelo menos se tentar construir um.
quinta-feira, 18 de julho de 2013
De livros e nostalgia
Quem me conhece e quem não me conhece sabe como gosto de livros. Sim, livros, porque não é somente de ler que gosto, tenho o maior prazer em passar horas em livrarias, e não se passa um dia em que não entre no site da Amazon para ver as novidades. Tenho livros comprados há anos só porque me interessei pelo tema, ou pelo autor, e juro de pés juntos que um dia vou ler. Alguns desses eu acabei descartando na minha eterna luta contra a bagunça. Outros, heroicos, remanescem, até o dia em que meu sentimento de culpa ou minha obsessão (ou, como chamo na minha "psicologia leiga", meu T.O.C.) o resgatarão do limbo em que se encontram.
Já rodei muitas livrarias e bibliotecas também. Estas eu abandonei por falta de tempo e, de necessidade e, convenhamos, graças à invenção da internet. Mas muitas horas foram gastas na Biblioteca Nacional (hoje muito abandonada, uma vergonha) e em outras menos famosas. Livraria hoje tem café, vende CD, DVD, artigo de papelaria, revista. E livro. Além de ter umas cadeiras, uns sofás ou umas almofadas para os clientes folhearem os livros e revistas à vontade. É um bom espaço esse, em que a gente pode tocar nas coisas que ama, "dar uma provinha", se desligar do mundo (como se eu precisasse de muito pra isso). Mas livraria é também que nem gente, assim, tem personalidade. E poucas têm a personalidade dessa pequena Malasartes, que fica dentro do Shopping da Gávea.
Alguns a comparam com a livraria do filme Mensagem para Você (http://www.amigasdapracinha.com.br/programa-legal/186-malasartes-um-cantinho-para-as-criancas-lerem-no-shopping-da-gavea.html), que acabou sendo fechada pela mega-concorrente, à época do filme bem similar à Barnes&Noble, e cujas lojas físicas (outra mega, a Borders, já faliu) estão sendo engolida pela indústria dos e-books (leia-se 'Amazon'). Mas isso é outra história. No entanto, a Malasartes está firme desde 1979, graças a Deus, e espero que permaneça assim, porque ela representa a memória de alguns dos melhores momentos da infância dos meus filhos.
Pois todos os meses, no dia do meu pagamento, eu ia ao shopping, e cumpríamos um verdadeiro ritual: salão para mim, e enquanto estava lá, minha mãe ficava na Malasartes com as crianças. Qual era a graça da livraria, e porque não ficar zanzando no shopping, como as outras mães? Ah, aí entra a minha história: quando eu e meu irmão éramos crianças, todo mês minha mãe nos levava ao Centro da cidade, onde meu pai trabalhava, para almoçarmos com ele, e cada um de nós ganhava um livro. Havia uma livraria no Largo da Carioca, onde fica o Edifício Avenida Central. Não tenho a menor lembrança de qual era, ou da configuração do local, só sei dos livros que levávamos para casa. Monteiro Lobato, O Conde de Monte Cristo, Júlio Verne, uns livros de ciências que meu irmão curtia, por aí vai. De alguma forma, recriei essa experiência. Obrigada, papai, obrigada, mamãe, por me darem esse exemplo.
A adorável Malasartes, então, inventou esse ambiente, onde as crianças tinham total liberdade, tinham mesinha e banquinho pra se sentar, e mamãe também ficava lá descansando (ela adorava shopping, então tudo bem). Quando eu terminava o que tinha de fazer no salão, ia pra livraria, e aí começávam as barganhas (lógico...). Cada um saía com um livro e um sticker. Dali íamos almoçar no Árabe. Doces na Chez Anne. Claro, também tinha o pastel (esqueci o nome). Ah, sim, tinha o Mr. Cookie!!!!! Como fui esquecer disso? Não sei porque acabou o Mr. Cookie! =(
Talvez meus filhos se lembrem de mais coisas desses tempos, não sei. Minha mãe já faleceu, mas mesmo antes disso sofria do Mal de Alzheimer's, então as memórias se perderam no tempo. Uma pena, pois era uma das pessoas com a melhor memória da família (não é irônico?). Só lamento não ter sido mais disciplinada e ter anotado todos os detalhes... Impossível. Disciplina não é o meu forte, virei workaholic, perdi de vista muitas coisas que deveriam ter sido mais recebido mais atenção de minha parte. Uma delas era escrever. Não para os outros, mas para mim mesma. No mínimo porque perder a memória é um dos grandes medos que sempre tive, e depois da doença de minha mãe esse medo se potencializou.
Quando uma coisa é boa, porém, ela resiste a tendências depressivas. Pouco tempo depois que meu pai morreu, estive na Malasartes com minha filha, e para nossa surpresa, não é que a dona da livraria a reconheceu? Detalhe, devia fazer mais de 10 anos que ela não ia lá. Por isso, quando estive no Shopping essa semana, resolvi fazer uma visita, comprar um livro, depois almoçar no Árabe, e, por fim, comer um éclair na Chez Anne (confesso que esse meio que me decepcionou). Se me deu uma certa nostalgia? Talvez. Mas não no sentido de achar que o passado era perfeito e que o tempo deveria se congelar (a não ser, quem sabe, na minha aparência, porque já estou enjoada de me olhar no espelho). Muito mais convergindo para refletir que hoje é hoje, e que o passado só deve servir para guardar aquilo que foi bom, descartar de vez o que foi ruim (difícil) e aprender com ele, e que o tempo é, de fato, inexorável.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Arrumação
Guardar ou jogar fora, eis a questão. "Um dia pode precisar", dizia meu pai. Cultura do pós-guerra, gente que tinha de se virar pra conseguir sobreviver, entrar em fila pra comprar comida racionada, aproveitava tudo, sobra de alimento, retalho de tecido, e por aí vai. Mesmo quando a situação melhorava, o cérebro já estava condicionado a manter o mesmo comportamento. E isso se transmite. Do hábito de se guardar as coisas por necessidade ao de se acumular é um pulo, e o caos à volta da gente parece repercutir na cabeça. Quando se chega a um estágio em que só a magia poderia dar jeito, é hora de arregaçar as mangas e começar a descartar coisas. Aí o bicho pega, porque dói pegar aquele desenho que o filho fez quando era aprendiz de Picasso e se livrar dele. E os cartões da melhor amiga, aquela que morreu e nunca mais vai te escrever nada de engraçado ou para te apoiar nos momentos em que você precisa? As lembranças das viagens que te marcaram pra sempre, que te deslumbraram e te emocionaram, tal e qual o livro de mitologia que você leu quando adolescente ou os contos de fada quando criança?
Nandinha tinha (tem) vocação para artista. Adorei quando ela fez o papel de Jocasta. Coitado do Édipo.
Tenho caixas de cartões e cartas trocados com minhas amigos. Amizades epistolares sempre foram minha especialidade. Uma pena que isso tenha se perdido com a Internet, que eu amo, claro, mas ainda não abandonei essa outra modalidade. Uma amiga que prefere o método tradicional, digamos assim, escreveu que epístola remete a apóstolo, o missionário, o sujeito dedicado a uma causa. Faz sentido para brigar contra uma época em que ninguém mais se importa em escrever ou escreve direito, ou num país onde a Educação é tratada como lixo (e onde o lixo nem é tratado).
Obras de arte de afilhadas e afilhados fazem parte da coleção, claro.
Viagens fazem grandes memórias (embora eu não saiba se elas têm o poder de perdurar até o fim da vida, graças ao fantasma do Alzheimer), mas não é só isso: são vivências que nos remoldam, por mais curtas que sejam.
No final das contas, são pedaços da gente ou coisas a que nos apegamos? Porque, no final das contas, como dizia mamãe, a gente morre e fica tudo por aqui. Por que guardar, então?
1985
Meu adorável e conciso irmão era uma preciosidade na hora de mandar cartões de aniversário. Numa época em que não existia Internet, receber um cartão quando ele viajava era como ganhar na loteria.
By Nanda
Nandinha tinha (tem) vocação para artista. Adorei quando ela fez o papel de Jocasta. Coitado do Édipo.
By Déa
By Yasmin
Obras de arte de afilhadas e afilhados fazem parte da coleção, claro.
Memories: Barcelona, Paris... *___*
Viagens fazem grandes memórias (embora eu não saiba se elas têm o poder de perdurar até o fim da vida, graças ao fantasma do Alzheimer), mas não é só isso: são vivências que nos remoldam, por mais curtas que sejam.
No final das contas, são pedaços da gente ou coisas a que nos apegamos? Porque, no final das contas, como dizia mamãe, a gente morre e fica tudo por aqui. Por que guardar, então?
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Paixão
"Sincronicidade é um conceito desenvolvido por Carl Gustav Jung para definir acontecimentos que se relacionam não por relação causal e sim por relação de significado. Desta forma, é necessário que consideremos os eventos sincronísticos não a relacionado com o princípio da causalidade, mas por terem um significado igual ou semelhante. A sincronicidade é também referida por Jung de "coincidência significativa".
Em termos simples, sincronicidade é a experiência de ocorrerem dois (ou mais) eventos que coincidem de uma maneira que seja significativa para a pessoa (ou pessoas) que vivenciaram essa "coincidência significativa", onde esse significado sugere um padrão subjacente, uma sincronia."
Aniversário de Déa. Para ser absolutamente sincera, não sei exatamente quantos anos ela faria. 59? 58? Outro dia conversava com a mãe dela e até ela pareceu um pouco confusa quanto à data do nascimento da filha. Nada a declarar de minha parte. Sou absolutamente confusa com relação a datas, e não sei se isso é uma coisa muito ruim, já que minha mãe, que era quem se lembrava de todos os aniversários e compromissos e criticava os "esquecidos" da família, foi quem acabou com Alzheimer. Prefiro inverter esses papéis e seguir com o cérebro funcionando até o último suspiro.
Eis que chego em casa de uma festa (de aniversário), e resolvo escarafunchar uma pilha de livros que está no chão do meu quarto. Sou desesperançada de ter minha casa arrumada (modelito Casa&Jardim então, nem pensar), mas sigo catando coisas para descartar aqui e ali com fervor religioso. É assim que acho um livro de uma coleção que meu pai comprava na banca de jornais, e dentro, duas páginas completamente amareladas. Acho estranho, porque o resto do livro está branquinho, até me dar conta de que há uma folha de jornal ali dobradinha, igualmente amarelada, responsável pela mancha.
Pausa: hoje um amigo postou um comentário no Facebook para mim onde se lia "não consigo limpar meu quarto porque me distraio com as coisas legais que encontro". É exatamente isso.
Retornando. Fui checar o jornal. É um artigo do The New York Times Book Review de 21 de agosto de 1994, sobre um livro chamado 'Passion', no qual se baseou um musical da Broadway de Sondheim com o mesmo nome. Ora, foi exatamente esse musical a que fomos assistir, eu e Déa. Lembro-me de que compramos os ingressos na Times Square, sem saber do que se tratava, numa daquelas promoções diárias do Tkts. Não era "um" Fantasma da Ópera, mas também não chegou a fazer a gente querer cortar os pulsos, como Cats. Aliás, é nessa hora que eu gostaria que minha memória fosse melhor, porque talvez até tenha sido nesse ano em que fomos ver os benditos gatos também, e no meio do musical (depois de Memory), eu olhei pra cara da Déa e ela olhou pra minha, e tivemos aquela comunicação telepática, fi-nal-men-te!, e não sei como ou o quê dissemos uma à outra, só sei que nos confessamos que estávamos achando aquilo uma porcaria e decidimos sair no meio do espetáculo. Liberador. Dali fomos comer uma fatia de pizza na Broadway, na altura da 51, num lugar que virou "nosso", e aonde voltaríamos sempre, só por causa de uma tal "pizza branca", coisa boba. Era uma pizzaria que meio que faz lembrar a Parmê, fica em frente a um teatrinho off-Broadway, até assisti a uma peça lá em 2007 (entendi só a metade...), modesta, baratinha, sem nenhum glamur, mas tinha um monte de retrato de artista nas paredes. Claro, deve ser a proximidade dos teatros. [Detalhe: voltei lá em 2007 e em 2010 só pra "marcar presença", e por milagre, a pizzaria ainda existia]
Bom, era assim. Posso dizer que Nova York era uma segunda casa da gente? Too much. Talvez que a gente se sentia em casa por lá, então. Acho que são as pessoas que fazem com que nos sintamos assim, hoje entendo melhor, porque passei alguns anos viajando com Déa, depois viajei algumas vezes sozinha, depois com outras pessoas. Essas pessoas, Déa, Jandiara, Tania, Valéria, Jaqueline, Fernanda, são pessoas muito especiais, muito importantes na minha vida. O que diferencia a Déa é sua ausência definitiva, a falta que ela faz. Talvez as coisas devessem ser assim, o que eu sei? Não sei se ela deveria ter passado pelo que passou, se foi melhor assim (!), se tudo seria diferente. É bom que o passado fique no passado, e já é mais do que hora de aprender isso. Carregar esse mochilão nos ombros só causa dor desnecessária. Mas do jeito que eu vejo as coisas, continuo achando que doença e dor são coisas ruins (também não curto muito esse negócio de envelhecimento não).
De qualquer forma, cabe refletir um pouco sobre o que essa sincronicidade queria trazer pra mim hoje (ontem), quando eu pensava no aniversário de Déa, e que queria escrever alguma coisa, mas que ando numa vagabundagem só (culpa desse maldito Facebook e da minha eterna procrastinação), e a 'paixão' caiu no meu colo. Talvez porque eu tenha chutado a paixão da minha vida porque dá muito trabalho e só traz dor.
Enfim, Feliz Aniversário, Déa, onde quer que você esteja, e um brinde às(aos) amigas(os), porque sem elas(es) a vida não tem alegria.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Uncivilized Rio
It's cool to see people visiting Rio de Janeiro and talking about the city, I mean, talking about the good things the city has to show, specially considering that we are in a tight schedule to host two big events, the World Cup in 2014, and the Olympiads in 2016.
Some time ago, when I was visiting Germany, I was asked by a fellow traveler if Brazil was prepared to receive the amount of tourists that this kind of event might bring. By then my greatest concern was the public transportation. My opinion remains unchanged.
However, ever since I found out a study has shown that only 5% of the Brazilian people can speak English, I tried to imagine the kind of difficulties a tourist could have in a place where there's no infrastructure in public transportation, no trained staff to deal with large crowds, no people willing to help or, maybe worse, lots of greedy people. From my point of view, that's the problem wherever we go. Only criminals are worse than greedy people.
Among others, The New York Times has published an article by Jodi Kantor (http://travel.nytimes.com/2013/02/17/travel/rio-with-eyes-open.html?hpw&_r=0) about tourism in Rio. Not bad, but I don't think that every tourist will have access to the places that are mentioned. Too exclusive. When you walk around the street in Copacabana and Downtown, you see a lot of tourists. There are many hostels in Copacabana and I believe that it is very practical to stay in that neighborhood (even though Kantor calls it "seedy"), because from there you can go to the beach, there are subway stations, buses, shops, supermarkets, etc.
Yes, you will be near the "favelas" or "communities", as they are called, but that is a given in Rio. However, this is not the biggest problem in Rio. Violence? A concern, but I have a friend whose brother was killed in a nightclub in Washington. If you are a seasoned traveler or a newbie, you will learn to take care.
What I really hate in Rio is its "fake friendly face".
That's where I would say: be careful. Politeness is not a strong quality of ours, I'm very sorry to say. Men, in particular, are very rude to women. They are very sexist in their insults. Possibly (probably?) it's a consequence of a Latin culture. Am I being prejudiced? I've been insulted too many times, so if I am, I think I'm entitled to be.
Don't be fooled by the cheapest prices. They come with the biggest disappointments. Of course, don't trust easily. There will be those who will try to make an easy profit out of you. It doesn't happen only in Rio, you know.
Don't give up. Traveling is one of the best things in life.
Some time ago, when I was visiting Germany, I was asked by a fellow traveler if Brazil was prepared to receive the amount of tourists that this kind of event might bring. By then my greatest concern was the public transportation. My opinion remains unchanged.
However, ever since I found out a study has shown that only 5% of the Brazilian people can speak English, I tried to imagine the kind of difficulties a tourist could have in a place where there's no infrastructure in public transportation, no trained staff to deal with large crowds, no people willing to help or, maybe worse, lots of greedy people. From my point of view, that's the problem wherever we go. Only criminals are worse than greedy people.
Among others, The New York Times has published an article by Jodi Kantor (http://travel.nytimes.com/2013/02/17/travel/rio-with-eyes-open.html?hpw&_r=0) about tourism in Rio. Not bad, but I don't think that every tourist will have access to the places that are mentioned. Too exclusive. When you walk around the street in Copacabana and Downtown, you see a lot of tourists. There are many hostels in Copacabana and I believe that it is very practical to stay in that neighborhood (even though Kantor calls it "seedy"), because from there you can go to the beach, there are subway stations, buses, shops, supermarkets, etc.
Yes, you will be near the "favelas" or "communities", as they are called, but that is a given in Rio. However, this is not the biggest problem in Rio. Violence? A concern, but I have a friend whose brother was killed in a nightclub in Washington. If you are a seasoned traveler or a newbie, you will learn to take care.
What I really hate in Rio is its "fake friendly face".
That's where I would say: be careful. Politeness is not a strong quality of ours, I'm very sorry to say. Men, in particular, are very rude to women. They are very sexist in their insults. Possibly (probably?) it's a consequence of a Latin culture. Am I being prejudiced? I've been insulted too many times, so if I am, I think I'm entitled to be.
Don't be fooled by the cheapest prices. They come with the biggest disappointments. Of course, don't trust easily. There will be those who will try to make an easy profit out of you. It doesn't happen only in Rio, you know.
Don't give up. Traveling is one of the best things in life.
domingo, 17 de fevereiro de 2013
That's what friends are for
Nova York, 1996 - Leila & Déa, best friends
Como vai, minha amiga, tudo bem? Pergunta bizarra essa, já que não tenho a menor ideia de onde você está. Só sei que sinto sua falta. Talvez seja egoísmo de minha parte, afinal, quando a gente quer desabafar, vai logo procurar a(o) pobre coitada(o) que há de ter paciência para segurar a onda. E você sempre foi muito mais paciente do que eu, porque infinitamente mais sociável, enquanto eu, introvertida, se pudesse, moraria dentro de um livro. A ideia de um domingo feliz para mim era ficar dentro de casa curtindo o antigo e finado, descanse em paz, JB. Melhor ainda foi quando você passou a me mandar as edições de domingo do New York Times que sua empresa descartava, maravilhosos tijolões que me faziam babar. E como você bem sabe, mais me ancoravam em casa. Não sei quantas vezes você tentou me convencer a sair num domingo e quantas vezes eu te driblei.
A exceção, e, ao mesmo tempo, o domingo perfeito: quando estávamos em Nova York, comprávamos o NYT, íamos para o Seaport tomar o breakfast, e ficávamos lendo o jornal no deck, de frente para a Brooklyn Bridge. Felicidade total. Totalmente metidas para tantos, mas não, porque para nós era natural, era um prazer genuíno. Ninguém fazia isso, porque turista não para pra ler jornal, pois não? =)
Qualquer outra pessoa teria desistido de mim. EU teria desistido de mim. Mas você foi minha amiga até o fim, sempre que precisei. E como precisei. Gosto de pensar que estive à sua altura, mas não tenho certeza, nunca vou ter. Só você poderia me tirar essa dúvida. Só você me ouvia e me respondia.
Recentemente voltei à "nossa" cidade. Não é a mais a mesma, sabe. Normal, tudo muda. Como nós. Você mesma se foi há tanto tempo, e deixou uma saudade enorme no coração de seus amigos. Eu, que sempre fui a mais anti-social, e a quem você se deu o trabalho de alcançar, talvez tenha baqueado mais. Poucas pessoas se dão ao trabalho de ir além do rótulo, nem mesmo aqueles que estão mais próximos. E também, às vezes, acaba sendo um círculo vicioso: você é rotulado e passa a mostrar/ser a "imagem". Afinal, dar a conhecer o que realmente se é pode levar a todo tipo de confusão. Diz-se que a verdade nos libertará, mas, como diz Jack Nicholson no filme, nem todo mundo pode lidar com a verdade. Ou com a dor. A exposição nos deixa vulneráveis. Melhor não. Afinal, confiar em quem?
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
O sal da terra
Filadélfia, 22/12/2012
Ter filhos parece ser uma coisa "natural". Não é assim para todos. Ou todas. A coisa é meio complexa. Não vou nem falar da educação/permissividade, porque fico muito irritada com crianças/mães/avós sem noção ou sem limite. Há certas práticas que não podem sair da casa da gente, sob pena de invadir o espaço alheio, incomodar mesmo o outro.
Falo da capacidade que algumas pessoas têm para desempenhar esse papel de pais. Confesso que nunca tive. Há que se ter paciência, em primeiro lugar, que não é o meu forte. Um tanto ou quanto de maturidade e planejamento também são desejáveis. Uma base familiar sólida, ah, então, nem se fala. Isso tudo e mais com certeza devem fazer parte de algum manual da boa mãe. Eu até comprava aquela revista Pais e Filhos, mas com certeza metade do conteúdo deve ter se perdido no meio da confusão que é o meu cérebro.
Culpo a literatura. Ou quiçá o meu signo, Sagitário: simbolizado pelo centauro, metade equino, patas no chão, daí parte ligado à realidade e também, por ser animal, um pouco grosseiro, e metade o homem com a flecha apontada para o céu, sempre procurando algo que não sabe o que é. Esse é o problema. O quê? Até hoje não sei.
Fui (e sou) a mãe que sabia e podia ser. Limitada. Frustrada. Às vezes triste, às vezes alegre. Sempre em construção, sempre observando, sempre buscando. E sempre, sempre torcendo pelos meus filhos. Basta que eles estejam bem. É simples assim.
Claro, gosto de viver no meu mundinho peculiar e particular. Acho que se pudesse, nunca mais sairia dele. Só me comuniquem se tudo está bem e pronto. Emoções e sentimentos machucam, incomodam. Por isso passo tanto tempo lendo e me adaptei tão bem ao computador. Talvez seja um círculo vicioso. Minha filha me disse que eu não gostava de ser incomodada quando estava lendo. É verdade. Talvez porque eu nunca tivesse tido ninguém para brincar ou dividir nada, a não ser por pequenos períodos de tempo, devido ao tipo de educação que recebi. Tudo muito controlado. Sou introvertida ou antissocial em decorrência disso? Infelizmente, é tarde demais para dar um jeito nisso.
Não vou mais especular como poderia ser diferente. As coisas são como são. Pensar no que poderia ter sido é um inferno do qual devemos nos livrar. Meus filhos seguem seus caminhos como têm de seguir, levando em consideração seus respectivos interesses, o que é natural e o correto. Se houver uma ponte, um canal de comunicação aberto, será bom. Ruim é quando cada um se acha exclusivamente certo e se recusa a ver o ponto de vista do outro. É fato que às vezes a gente não consegue mesmo enxergar. É aquele cisco que obstrui nosso olho e nos torna cegos às coisas que estão diante de nós.
Minha esperança é o diálogo. Ilustrei o texto com uma foto tirada na Filadélfia, quando eu e minha filha visitamos o Independence Mall, onde está o sino quebrado que anunciou a independência dos Estados Unidos. Ela segue caminhando, e, imagino, firme, forte, segura e tranquila. Com certeza antecipa o show a que assistiríamos no dia seguinte, da Dave Matthews Band, e o resto da viagem, talvez não totalmente serena, mas, como a vida, a ser vivida plenamente. Era assim que eu imaginava as coisas na vida, tanto para mim, como, depois, para meus filhos. Espero que, pelo menos para eles, isso se concretize, mesmo que minha contribuição não tenha sido a que eles desejaram ou fantasiaram.
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