PS: E pensar que sorvete já foi um prêmio quando eu era criança. O que mudou?
quinta-feira, 8 de março de 2012
Em busca de um picolé
segunda-feira, 5 de março de 2012
Instante
Por um instante, let me be. O que eu quiser ser ou sonhar. Desenrolar uma ponta de mágoa até ver no que dá, se num emaranhado tão grande que me aprisione pra sempre ou na saída do labirinto. Confrontar a dor é preciso.
sexta-feira, 2 de março de 2012
A morte
Preciso me reconciliar com minha morte. Tenho medo da morte, mas preciso morrer. Se não o fizer, serei sempre o mesmo eu, esse ser desamparado, magoado, soterrado de lembranças que ameaçam me sufocar, me paralisar. O envelhecimento conduz à morte, mas pior do que a morte do corpo é essa morte mental. Não é depressão, não é tristeza, não é vazio, é um caos primordial que contém tudo e a lugar nenhum leva.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Mitos e fantasias
Enquanto olhava as fotografias que tirei na Disneyland/Califórnia, assistia (escutava, melhor dizendo) a um programa no History Channel sobre as viagens de Ulisses. O grego, claro. Achei a propósito, já que para mim viagem tem a ver com buscas e descobertas.
O programa era interessante por várias razões: gosto de História, de mitos, e tenho especial fascinação pela mitologia grega, e, como já mencionado, há o tema da viagem e da busca como especial atrativo. Só que não dava para prestar muita atenção, não somente porque eu estava organizando as fotos, como também fazendo cookies (sim, sou caótica, ou multitarefa - a escolher). Naturalmente, já conheço a história do herói mitológico. E é aí que minha cabeça dá nó.
A narrativa é fantástica, sim, não somente no sentido figurado. Afinal, representa uma das muitas jornadas do herói que povoam as mitologias mundiais. E o The End feliz, então, com a fiel esposa Penélope, depois de driblar todos os malandros que queriam ocupar o lugar de Ulisses com aquela tecelagem interminável, que novelão, hein? Até os narradores do History Channel dão um pitaco dizendo que Ulisses era o grande herói grego, que o nome dele queria dizer algo como o homem que tem dor (sei lá, algo assim, em grego 'Odisseus', mas não sei grego, só sei que eles falaram da dor, com certeza). E que, sim, ele foi um homem que sofreu, blablabla. Antes já tinham chamado a atenção para o fato de que durante suas andanças, traía a mulher (aquela mesmo, que ficou esperando por ele 20 anos; é, 20 anos!!!!!) com várias outras, mas ninguém achava isso anormal. Ahn. Oi? Pausa. Parágrafo.
De novo: OI? Vou lá buscar uma referência em Joseph Campbell, o grande estudioso de mitos. Lembrava de ele ter feito algum comentário sobre a jornada do herói. E está lá: "Todas as grandes mitologias e boa parte das narrativas míticas do mundo têm um ponto de vista masculino". Ia até parar por aqui, mas me chamou a atenção uma outra coisa: "Quando eu estava escrevendo 'O herói de mil faces' e queria incluir heroínas, tive de recorrer aos contos de fadas." Está me parecendo que está aí a explicação para a vadiagem imperturbável de Ulisses. Naturalmente, mulheres de Atenas eram seres menores. A famosa democracia grega não era aquilo tudo. E a questão dos contos de fada é interessante também. Estaria aí a raiz do interesse feminino por contos de fada e suas derivações? A refletir.
É óbvio que continuo interessada nos mitos e entendo sua função religiosa, espiritual, psicológica, histórica, etc. etc. Mas é certo que toda vez que penso em Ulisses tenho vontade de dar muita pancada nele. E não só por Penélope, mas pelo filho, que ele só vai reencontrar adulto. Tremendo egoísta. ¬¬
Isso posto, recomendo Joseph Campbell, não somente o livro 'Mito e Transformação', como qualquer outro. Campbell, já falecido, tem até uma página no Facebook. É sempre bom lembrar que ele inspirou George Lucas em Star Wars.
Follow your bliss, já dizia Campbell. Yes!
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Viajar é preciso
Há tanto tempo não escrevo que estou até enferrujada. Costumo me inspirar quando viajo, mas isso, além de não ser o ideal para quem tem a pretensão de ser blogueira/escritora, também dá uma medida clara de indisciplina. Há um indicativo de caos subjacente a essa longa ausência. O problema é começar, e estou procrastinando, como sempre. Começar por onde? É aí que entram as viagens e por isso escolhi o título. Se não estou enganada, acho até que meu primeiro blog tinha esse nome, exatamente para falar de viagens. Por motivos não originais, o título faz referência óbvia a um de meus poetas favoritos, Fernando Pessoa, logo eu que não sou dada a poesia, talvez porque minhas viagens careçam de precisão para encontrar seu rumo.
No entanto, quando começamos a pensar em viajar, seja lá qual for o motivo, é certo que estaremos saindo do nosso cotidiano, da nossa realidade, e, de alguma forma, partindo para uma outra, esperada, fantasiada, desejada. O mundo se desloca do eixo a que estamos habituados por algum tempo, e não tenho muita certeza de que retorna exatamente ao ponto em que o deixamos ao término da viagem. Algo se modifica em nós. Somos mais do que éramos quando partimos. Vivemos, aprendemos, conhecemos lugares e pessoas, mesmo que não tenhamos nos deslocado mais do que algumas dezenas ou centenas de quilômetros. Sair do lugar é sempre sair da zona de conforto, é alargar os horizontes. Dizem que fazer coisas diferentes faz bem para o cérebro. Pois então. Imaginem se pudéssemos viajar todos os dias. Na verdade isso é possível: lendo. Que coisa. Então foi aí que começou essa minha paixão por viajar.
Bom. É isso por hoje. Viaje todos os dias. Faça coisas diferentes. Atravesse a rua, ande pelo outro lado da calçada. A gente nunca sabe o que vai acontecer no próximo minuto. A vida é imprevisível. Não resisto a reproduzir meu adorado Fernando Pessoa abaixo.
Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".
Quero para mim o espírito desta frase,
Transformada a forma para a casar como o que sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
Ainda que para isso tenha de ser o meu corpo
E a (minha alma) a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade;
Ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.
Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
O propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
Para a evolução da humanidade.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Inspiração X Transpiração
E não tem mais essa de ilusão sobre musa inspiradora baixando e talento divino fazendo a gente produzir uma obra qualquer. A não ser que se seja um Garrincha, talvez, correndo com aquelas perninhas tortas que Deus lhe deu para magicamente dar nó nos adversários e fazer maravilhas inesquecíveis e únicas. Mas para quem pretende escrever é trabalho, trabalho e trabalho. Muita disciplina, e nessa hora é que minha mãe me vem à cabeça. Rígida como um general, mas começo a achar que ela fazia sentido. Aparando arestas, claro. Mas sem disciplina acho que não dá pra produzir nada mesmo.
Outro dia estava lendo sobre criatividade, e exercícios para se escrever a partir de fotografias. Logo depois, encontrei um blog nessa linha, como muitos (inclusive o meu), que me chamou a atenção porque falava de Boston, cidade que visitei há pouco, e deu para identificar algumas coisas, inclusive uma exposição no Museum of Fine Arts, belíssima. São várias coisas interessantes, tanto a ideia do blog, as fotos bonitas, e o fato de rever um lugar que visitei. O que não quer dizer que não vá gostar se eu não conhecer o lugar - o que interessa é a abordagem, a originalidade, que vai distinguir aquele blog dentre tantos. É o que eu gostaria de fazer, de alcançar como "autora". Mas não saio do pensar.
Até que peguei um dos tantos livros sobre o ofício da escrita hoje e comecei a ler. A lição era exatamente essa, a da disciplina, do trabalho duro. Acho que há um certo medo envolvido nisso, e/ou talvez um pensamento de que não há um objetivo prático envolvido. Bem, é preciso deixar isso e lado, e começar a trabalhar. Não havendo musa inspiradora, e como eu não psicografo à la Chico Xavier, e também não sou Jane Austen. Isto posto, cheguei aqui com a mesma ideia da blogueira de Boston, de vários outros e minha também, já que ando sempre com minha câmera na bolsa: o que eu vi hoje.
Hoje invernou com sol. Um sol glorioso e um frio danado. Vá entender.
R. Dias Ferreira, Leblon/RJ
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