Jane Austen, claro. Ícone X Iconoclastas. Nasceu em 1775, morreu em 1817. Escreveu 6 livros. Os direitos autorais não ficaram para qualquer herdeiro. Magnífica escritora. Como muitos outros talentos, não ganhou dinheiro quando viva, mas suas obras não param de render. Inclusive filhotes. Literários, cinematográficos. Alguns honestos, outros oportunistas. Alguns engraçados, outros de matar. De tristeza. Não consegui tirar da cabeça outro ícone moderno, este produzido pela mídia: Britney Spears. Simplesmente pela música que ela fez depois do escândalo da perda da guarda dos filhos, "Piece of Me".
Fico imaginando Jane, na versão zumbi de um dos livros caça-níqueis que se aproveitam dela, e perguntando a todos os pseudo-escritores, produtores, etc. etc.:
You want a piece of me?
E eu acrescentaria: Have you no shame?
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Iconoclasta[s]
iconoclasta
i.co.no.clas.ta
adj e s m+f (gr eikonoklástes) 1 Que, ou quem destrói imagens religiosas ou ídolos. 2 Que, ou quem não respeita tradições e monumentos. 3 Que, ou quem mina o crédito ou reputação alheia. 4 Que, ou quem se mostra hostil a princípios sãos ou moralistas. 5 Dir Que, ou quem procura renegar postulados da melhor política, ou que se insurge contra as bases de uma boa administração.
Michaelis (on line)
diferente
di.fe.ren.te
adj m+f (lat differente) 1 Que difere; que não é semelhante. 2 Desigual. 3 Que é diverso; dessemelhante. 4 Alterado, mudado, modificado. 5 Variado. 6 Inexato.
i.co.no.clas.ta
adj e s m+f (gr eikonoklástes) 1 Que, ou quem destrói imagens religiosas ou ídolos. 2 Que, ou quem não respeita tradições e monumentos. 3 Que, ou quem mina o crédito ou reputação alheia. 4 Que, ou quem se mostra hostil a princípios sãos ou moralistas. 5 Dir Que, ou quem procura renegar postulados da melhor política, ou que se insurge contra as bases de uma boa administração.
Michaelis (on line)
diferente
di.fe.ren.te
adj m+f (lat differente) 1 Que difere; que não é semelhante. 2 Desigual. 3 Que é diverso; dessemelhante. 4 Alterado, mudado, modificado. 5 Variado. 6 Inexato.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Back to Jane e sincronicidade
Descobri no Orkut (acho) um blog (http://janeaustenclub.blogspot.com/) muito legal sobre Jane Austen (sempre ela, claro), e me inscrevi para receber sua newsletter. Como a net é, literalmente, uma rede, a responsável pelo blog nos dá notícia de um livro chamado 'Pride and Prejudice and Zombies'. Whaaaat? A notícia foi dada por outro blogueiro, André (http://www.lendo.org/orgulho-preconceito-e-zumbis/#more-1576), traduzindo notícia do site Chronicle Books (http://www.chroniclebooks.com/index/main,book-info/store,books/products_id,7847/title,Pride-and-Prejudice-and-Zombies/). Quando eu estava me preparando para falar aqui da lucrativa vampirização feita em cima de Jane, Adriana, que deu a notícia inicial, continua a história dos zumbis.
Por isso pensei no conceito de sincronicidade desenvolvido por Jung. As "coincidências" da vida.
O que eu ia dizer: primeiro, ninguém herdou os direitos de publicação de Jane Austen. Daí que pode-se republicar, filmar, fazer qualquer produto a partir dos livros de Jane, e o lucro é livre.
Segundo, imagino, não é possível ter acusação de plágio.
Mau-gosto, então, nem pensar. Então, se quiserem fazer uma versão pornô do casamento de Mr. Darcy e Lizzy Bennett, that's all right.
O professor James Thompson, da Universidade de North Carolina, afirma que Austen consegue costurar o pessoal e o social num todo; que o casamento de Darcy e Elizabeth representa a união harmoniosa de homem e mulher, interior e exterior, a responsabilidade social masculina da tradição aristocrata do séc. XIX e a subjetividade e emocão feminina do romantismo. Sob este ponto de vista convencional, Austen ocupa um lugar crucial no desenvolvimento do romance - ela inaugura a grande tradição do romance inglês. (Jane Austen and Co., State University of New York Press).
O que os vampiros estão fazendo é usar o nome de Jane e escrever qualquer coisa. Por exemplo, a Amazon disponibiliza uma série de livros (cinco?) em que Jane Austen é uma detetive amadora. Qué? Bem, não dá para investigar todas as possibilidades. Se não há direitos autorais, são infinitas. O gênio da inovação morreu. Acho que o sujeito que concebeu Jane como um zumbi retornando para se vingar tinha uma justificativa. Jane teria.
Os professores que compilaram o livro acima citado tinham como objetivo divulgar Jane aos estudantes, mostrando obras em que ela figurava como inspiração. Ainda não terminei. Mas encomendei o livro que inspirou a série Lost in Austen. Sou viciada, fazer o que? E acho que ainda tenho coisa comprada em Bath. Tenho assunto ainda. Mesmo que ninguém leia, eu me divirto. Continuo achando que é melhor que ver BBB.
PS: Histórias de vampiros são mais divertidas do que essas sequencias sequeladas.
Por isso pensei no conceito de sincronicidade desenvolvido por Jung. As "coincidências" da vida.
O que eu ia dizer: primeiro, ninguém herdou os direitos de publicação de Jane Austen. Daí que pode-se republicar, filmar, fazer qualquer produto a partir dos livros de Jane, e o lucro é livre.
Segundo, imagino, não é possível ter acusação de plágio.
Mau-gosto, então, nem pensar. Então, se quiserem fazer uma versão pornô do casamento de Mr. Darcy e Lizzy Bennett, that's all right.
O professor James Thompson, da Universidade de North Carolina, afirma que Austen consegue costurar o pessoal e o social num todo; que o casamento de Darcy e Elizabeth representa a união harmoniosa de homem e mulher, interior e exterior, a responsabilidade social masculina da tradição aristocrata do séc. XIX e a subjetividade e emocão feminina do romantismo. Sob este ponto de vista convencional, Austen ocupa um lugar crucial no desenvolvimento do romance - ela inaugura a grande tradição do romance inglês. (Jane Austen and Co., State University of New York Press).
O que os vampiros estão fazendo é usar o nome de Jane e escrever qualquer coisa. Por exemplo, a Amazon disponibiliza uma série de livros (cinco?) em que Jane Austen é uma detetive amadora. Qué? Bem, não dá para investigar todas as possibilidades. Se não há direitos autorais, são infinitas. O gênio da inovação morreu. Acho que o sujeito que concebeu Jane como um zumbi retornando para se vingar tinha uma justificativa. Jane teria.
Os professores que compilaram o livro acima citado tinham como objetivo divulgar Jane aos estudantes, mostrando obras em que ela figurava como inspiração. Ainda não terminei. Mas encomendei o livro que inspirou a série Lost in Austen. Sou viciada, fazer o que? E acho que ainda tenho coisa comprada em Bath. Tenho assunto ainda. Mesmo que ninguém leia, eu me divirto. Continuo achando que é melhor que ver BBB.
PS: Histórias de vampiros são mais divertidas do que essas sequencias sequeladas.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Sonho X Realidade
Semi-acordei com Nara Leão e Chico Buarque cantando no meu cérebro e depois de todo o ritual necessário para botar os pés na rua com 1 tonelada de bolsas, meus ouvidos registram os tiros. Habituais, mas sempre chocantes. E, pela primeira vez, ouvidos da rua - o comum é ouvi-los da relativa proteção de casa. É a realidade. Aos tiros, segue-se o helicóptero. Detalhe: são 9 h da manhã. O pássaro negro paira sobre nossas cabeças, rodopia, se apossando do espaço - também, como de hábito, indo e voltando, como o predador em busca de sua presa. As ruas não estão cheias - é um bairro predominantemente residencial - mas todos param, as pessoas saem às janelas, entre fascinadas e amedrontadas.
Mas a vida continua. A canção que Nara entoava se perdeu no semi-sonho. A realidade é mais dura, mas eu estou viva. Pelo menos.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Nobody cares
Que passe para trás
quem se achava na frente,
que passe para a frente
quem estava lá atrás,
que os doidos, apaixonados,
sujeitos mal-comportados,
encaminhem novas proposições,
que sejam postas de lado
as proposições antigas,
que o homem busque prazer
em toda parte, exceto nele próprio,
que a mulher busque a felicidade
em toda parte, exceto nela própria.
Reversair
Walt Whitman
A gente resolve criar um blog ou porque acha que tem algo a dizer ou porque é pretensiosa (achando que tem algo a dizer e que isso é importante o suficiente para alguém ler - é a mesma coisa que ter algo a dizer e achar que o outro tem de ouvir... nada como ficar afônica e perceber que poucos se importam ou ninguém se importa... as pessoas só acham estranho... algo assim como ter uma disability, ser diferente num mundo de iguais...). Nesse caso, é sempre bom resgatar nos guardados um texto de Walt Whitman, ainda que traduzido. Não tenho a menor idéia de onde saiu, é um recorte solto, estava perdido em meio às dúzias de papéis que volta e meia eu arrumo e rearrumo me prometendo jogar fora, já que metade está mofada, e só serve parar piorar minha alergia. Mas resistir quem há de? Não sei de quem é a tradução, mas o prazer é sempre o mesmo. É como um spa para a alma machucada, desencantada. Um pouco de pó de pirlimpimpim. Nem deu pra prestar atenção na primeira entrevista do Obama. Tão elegante, tão articulado. Dá até gosto.
quem se achava na frente,
que passe para a frente
quem estava lá atrás,
que os doidos, apaixonados,
sujeitos mal-comportados,
encaminhem novas proposições,
que sejam postas de lado
as proposições antigas,
que o homem busque prazer
em toda parte, exceto nele próprio,
que a mulher busque a felicidade
em toda parte, exceto nela própria.
Reversair
Walt Whitman
A gente resolve criar um blog ou porque acha que tem algo a dizer ou porque é pretensiosa (achando que tem algo a dizer e que isso é importante o suficiente para alguém ler - é a mesma coisa que ter algo a dizer e achar que o outro tem de ouvir... nada como ficar afônica e perceber que poucos se importam ou ninguém se importa... as pessoas só acham estranho... algo assim como ter uma disability, ser diferente num mundo de iguais...). Nesse caso, é sempre bom resgatar nos guardados um texto de Walt Whitman, ainda que traduzido. Não tenho a menor idéia de onde saiu, é um recorte solto, estava perdido em meio às dúzias de papéis que volta e meia eu arrumo e rearrumo me prometendo jogar fora, já que metade está mofada, e só serve parar piorar minha alergia. Mas resistir quem há de? Não sei de quem é a tradução, mas o prazer é sempre o mesmo. É como um spa para a alma machucada, desencantada. Um pouco de pó de pirlimpimpim. Nem deu pra prestar atenção na primeira entrevista do Obama. Tão elegante, tão articulado. Dá até gosto.
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Funeral Blues
Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead.
Put crêpe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.
The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood;
For nothing now can ever come to any good.
W.H. Auden - Poemas - Companhia das Letras
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead.
Put crêpe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.
The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood;
For nothing now can ever come to any good.
W.H. Auden - Poemas - Companhia das Letras
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