sexta-feira, 25 de setembro de 2009

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Word of the day

Word of the Day

Wednesday, September 16, 2009

logorrhea

1. Pathologically incoherent, repetitious speech.
2. Incessant or compulsive talkativeness; wearisome volubility.
Origin:
Logorrhea is derived from Greek logos, "word" + rhein, "to flow."

logorréia
Datação
1873 cf. DV
Acepções
substantivo feminino
1 Uso: pejorativo.
profusão de frases sem sentido e/ou inúteis
2 Rubrica: psicopatologia.
compulsão para falar, loquacidade exagerada que se nota em determinados casos de neurose e psicose, como se o paciente, assim, quisesse dar vazão ao grande número de idéias que passam por sua cabeça; logomania, verborragia


Etimologia
log(o)- + -réia; f.hist. 1873 logorrhea

Sinônimos
ver sinonímia de loquacidade


Nem vou procurar o sinônimo de loquacidade. Estava circulando pela rede, e caí nessa 'palavra do dia'. Em inglês. Fui ver no Houaiss para ver se tinha o equivalente em português. Tinha. Resolvi postar as duas. Para provar que aí está o X da questão na rede: a compulsão para falar, ou escrever. Naturalmente, tudo isso está sendo deixado para trás pelo microblog, especialmente o mais famoso de todos, o Twitter, com seu famoso limite de 140 caractereses. Confesso que me deixei seduzir. É tão mais prático! Ainda mais com a funcionalidade de retwit: vc vê uma coisa interessante que alguém já postou e quer contar para o seus seguidores (se é que tem algum), e com essa justificativa, recorta e cola. Não, não é plágio, a ñ ser q vc ñ seja educado e ñ coloque a marquinha 'RT' (=retweet). Claro que pode querer dizer falta de assunto ou originalidade. É bom manter a sobriedade. Mas a loquacidade fica reservada para o seu blog, onde vc pode, efetivamente, se derramar em frases com ou sem sentido, úteis ou inúteis, e ficará nisso mesmo. A ñ ser, lógico, q vc fira algumas regras básicas do bom senso, coisa q ñ pretendo fazer. Loquaz sim; neurótica ou psicótica não sei; mas, dentro da minha liberdade de opinião, procurando manter a ética.

domingo, 20 de setembro de 2009

O reverso do amor, por Ivan Martins

"“A alma me caiu aos pés” é uma expressão espanhola que eu conheci através de um dos meus escritores favoritos, o madrilenho Jorge Semprún.

Educado em francês e alemão, apaixonado pelas palavras, Semprún é fascinado pelo que essa expressão descreve com exatidão: o momento aterrador em que nosso mundo vem abaixo, o instante em que nos vemos nus diante da realidade acachapante.

Lembro que a alma me caiu aos pés numa noite chuvosa de terça-feira, em São Paulo.

Eu havia saído com a namorada e tivemos um desentendimento repentino, explosivo, desses que termina em gritos e lágrimas sem que qualquer um dos dois tenha (ao menos conscientemente) intenção de romper e causar dano.

Discutimos no carro, a caminho de um restaurante, e retornamos à casa dela sem nos olhar. Eu a deixei sob a luz amarelada do prédio. Tão logo acelerei o carro, furioso, aconteceu: a alma me caiu aos pés.

De um só golpe me veio, inteira, a importância daquela mulher na minha vida. O mundo sem ela ficou instantaneamente vazio de sentido. A amargura subiu pela garganta e me dominou a ponto de quase impedir o ato de guiar.

Sei que cheguei em casa e me larguei na poltrona, sentindo as coisas ruírem à minha volta. Eu me sentia inteiramente só. E apavorado. Pensei: como se vive com esse sentimento?

Antes que eu tivesse chance de descobrir, ela telefonou.

Conversamos cautelosamente, como dois bichos feridos: um percebendo no outro, pela primeira vez, o potencial de causar dor. Como não havia nada realmente errado, as coisas se resolveram e a ordem do universo foi restaurada. A vida voltou ao seu lugar.

Desde então, porém, a pergunta me persegue: como se vive com tamanha dor? Como se lida com o reverso do amor?

Tenho uma amiga que terminou outro dia um namoro bonito, com um sujeito devotado, e se encontra inteiramente tranquila. Na verdade, está feliz por ter mais tempo para si mesma.

Tenho outra amiga que é inteiramente diferente. Ela terminou um namoro ruim e está em farrapos: não consegue estar só e sentir-se bem.

A maioria dos homens que eu conheço pertence ao segundo grupo.

Diante de um rompimento indesejado, eles desabam. Correm para o bar, enchem a cara, ligam para todas as mulheres da cidade, fazem o maior barulho possível. Se apavoram.

Sempre tive a impressão de que pertencer a esse grupo era a única maneira de existir. Do lado dos sóbrios e tranquilos, eu pensava, só há gente fria. Gente que eu não queria ser.

Hoje penso ligeiramente diferente. Tendo sentido a alma nos pés mais de uma vez, me parece invejável a capacidade de algumas pessoas de estar no centro da própria vida permanentemente – em vez de deixar que outro ser humano ocupe esse lugar essencial.

Quando as relações terminam, essas pessoas saem quase intactas. Vão recuperar sozinhas a própria integridade. Sem pânico. Sem drama. Isso significa que se divertiram menos no caminho? Significa que gostaram menos? Talvez. Ou talvez signifique, apenas, que são mais equilibradas.

Assim como a sombra, talvez a alma devesse estar colada ao corpo permanentemente. Deve haver algo de errado com uma alma que vive caindo nos pés."

Publicado na revista Época
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI88758-15230,00-O%20REVERSO%20DO%20AMOR.html


Nem sei se é a alma ou o coração... é o que faz o coração da gente disparar... no fundo é o cérebro mesmo, ele é que é o gatilho de tudo, de todos os sintomas que nos acometem e todas as vergonhas, pânicos, pavores, vontade de nos trancarmos dentro de casa e nunca mais sairmos, ou, talvez, ao contrário, sair e sacudir alguém, quiçá apagar tudo, fazer voltar o tempo, às vezes até ao momento em que sequer existíamos...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Filosofia

"O comportamento do personagem da série de TV House (TV a cabo - Universal) acaba de se tornar tema de um livro, lançado no Brasil pela editora Best Seller. Em A Filosofia em House (192 pág., R$ 24,90), um grupo de filósofos analisa a ética e a moral do personagem, buscando entender o seu padrão de raciocínio e explicar os motivos de suas atitudes."
Estou curiosa. Bom, nunca estudei filosofia, que para mim está no nível de O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder, que é (era?) um professor de filosofia do secundário, e de alguns artigos de revistas voltadas para o tema. Às vezes eu fico meio confusa com abstrações filosóficas. Mas estou descobrindo a necessidade de me aprofundar um pouco mais ao ler sem fraude nem favor - estudos sobre o amor romântico, de Jurandir Freire Costa, ed. Rocco, quando ele começa a desenrolar os conceitos ao longo do tempo acerca do que se convencionou chamar de amor. O assunto me interessa tanto pelo lado humano como pelo ângulo literário: como se constroem (nova ortografia: com ou sem acento agudo?) as tramas amorosas na chick-lit? O que existe ali que prende a atenção? É só observar a lista de best-sellers do NYT, e se verá que há serial writers - leia um, e compare os livros seguintes, e só mudarão os nomes e as locações. Às vezes nem isso. Mesmo assim, nós, as fãs, continuamos comprando os livros (ou eles ñ seriam best-sellers). Porque? Só pode ser vício. Ou porque os livros contêm algo que falta em nossas vidas. Preciso estudar o assunto. Mas esse psicanalista vai e saca Santo Agostinho, e outros, e dá um nó na cabeça da gente. Espero terminar o livro em estado de alguma sanidade.
Depois eu compro o livro sobre a filosofia do House, que é absolutamente fascinante, mas, para mim, a pessoa mais cínica e antiética da face da terra. Bem... comparado com os políticos brasileiros, tenho de rever meus conceitos. Deve ser no mínimo interessante. Tenho de passar numa livraria para folhear e conferir. Não dá para confiar só em release.
Finalizo com um comentário pescado num site sobre O Mundo de Sofia, este sim, um livro encantador, com certeza:

O objectivo principal deste livro não é, segundo o nosso ponto de vista, relatar ao leitor a evolução da filosofia ao longo do tempo, mas sim fazer com que este não seja tão indiferente àquilo que o rodeia. Isto é conseguido através das respostas dos grandes filósofos às questões que sempre afligiram o mundo.

"A capacidade de nos surpreendermos é a única coisa de que precisamos para nos tornarmos bons filósofos (...) E agora tens que te decidir, Sofia: és uma criança que ainda não se habituou ao mundo? Ou és uma filósofa que pode jurar que isso nunca lhe acontecerá?... Não quero que tu pertenças à categoria dos apáticos e dos indiferentes. Quero que vivas a tua vida de forma consciente."

http://www.ime.usp.br/~cesar/projects/lowtech/mundodesofia/



Clarice: escrever é o mesmo processo do ato de sonhar: vão-se formando imagens, cores, atos, e sobretudo uma atmosfera de sonho que parece u...